Olá, moxileiros!
Depois de passarmos 7 dias no Rio de Janeiro, aproveitamos para descansar três dias em Campinas e, de repente, lá estávamos nós no aeroporto de Viracopos novamente. Este já era a nossa sexta ida a este aeroporto em 2025.
Nosso voo partiu de Viracopos com destino a Recife. Na verdade, essa viagem não estava nos nossos planos, mas nossa amiga Franciele nos convidou, porque ela tinha achado uma passagem em promoção no site da Azul. Só que, quando fomos comprar, o preço já havia mudado, então tivemos que monitorar um pouco mais até conseguir fechar.
Acabamos pagando, se não me engano, 15700 milhas da Azul + R$44 de taxa ida e volta, o que dá em torno de R$290 por pessoa. O período da viagem seria de sete dias, igual à nossa viagem pelo Rio. Aí começou a “quebrar a cabeça” para planejar o que fazer em sete dias no Nordeste, saindo de Recife. A ideia era não ficar só na capital, mas explorar outros lugares incríveis da região.
Se você já olhou para o mapa do Nordeste, sabe que as capitais ficam bem pertinho umas das outras. É quase como se estivéssemos viajando pela Europa: a cada uma hora de carro, você já está em outro estado. Então, sete dias parecia um período ideal para conhecer um estado além de Pernambuco. E nossa escolha foi: Maceió.
Dá pra visitar várias cidades do Nordeste na mesma viagem
Vale a pena alugar um carro no Nordeste?
Para essa viagem, alugamos um carro pela Discover Cars, que é um agregador de empresas de aluguel. O legal desse site é que você consegue ver qual agência oferece o melhor preço, quais têm melhores avaliações e comparar todas as opções. No nosso caso, o melhor valor foi pela Localiza.
Sempre gosto de ser muito sincera com vocês aqui no blog, então vale dizer que conseguimos um preço super em conta por conta de um voucher que eu tinha com a Discover Cars. Mas, se você quiser, pode clicar neste link e fazer uma simulação: o site agrega valores de várias empresas, inclusive da Localiza, e dá pra escolher a melhor opção para você.
O processo foi totalmente seguro, confiável e simples. Eu apenas selecionei a data da nossa chegada e um horário próximo para pegar o carro. E para devolver, fizemos praticamente a mesma coisa: na madrugada do nosso voo de volta, antes de embarcar, entregamos o carro no mesmo aeroporto de Recife. Nosso roteiro era circular: a ideia inicial era entrar por Maceió e sair por Recife, mas como as passagens estavam mais baratas para Recife, ajustamos o trajeto.
No fim das contas, usando o voucher, o valor ficou aproximadamente R$40 por pessoa, já que estávamos em 4 pessoas. Mas, normalmente, o aluguel por 7 dias com todos os seguros sairia em torno de R$1.000 no total, apenas para referência.
Alugamos um C3 Aircross
O que é a Rota Ecológica dos Milagres
A Rota Ecológica dos Milagres é um trecho de aproximadamente 40 km do litoral norte de Alagoas, famoso pelas praias tranquilas, cenários paradisíacos e pousadas charmosas. Ela se estende entre as cidades de Barra de Camaragibe e Porto de Pedras, passando por vilarejos como São Miguel dos Milagres, Porto da Rua e Praia do Toque. Diferente de outros destinos do Nordeste que são mais badalados, a rota tem uma proposta de turismo mais sustentável, com praias quase desertas, preservação ambiental e opções de hospedagem em pousadas pé na areia. É o lugar ideal para quem busca sossego e contato direto com a natureza.
O que são Piscinas Naturais?
As piscinas naturais são formações de água cristalina que se formam entre recifes de corais durante a maré baixa. Quando a maré desce, a barreira de corais cria uma espécie de “piscina gigante” no meio do mar, com água parada, transparente e cheia de peixinhos coloridos. Esse é um dos grandes atrativos do Nordeste, e cada região tem seu charme nesse fenômeno. As mais famosas estão em Maragogi (AL), conhecidas como Galés, mas também se destacam as piscinas naturais de Porto de Galinhas (PE), São Miguel dos Milagres (AL) e Paripueira (AL). É uma experiência única nadar nessas águas mornas, cercado por vida marinha, e por isso esses passeios são os mais procurados por turistas que visitam o litoral nordestino.
O que é a Tábua de Marés?
A Tábua de Marés é um calendário que mostra os horários e a variação do nível do mar ao longo do dia. Ela é essencial para planejar passeios em praias do Nordeste, especialmente aqueles que envolvem piscinas naturais e bancos de areia. A maré baixa é quando surgem os bancos de areia e as piscinas ficam acessíveis — é nesse momento que dá para ir de jangada até os corais, caminhar em bancos de areia ou aproveitar águas bem calmas. Já na maré alta, muitas dessas atrações ficam submersas e inviáveis. Por isso, antes de organizar um roteiro em destinos como Maragogi, Porto de Galinhas ou São Miguel dos Milagres, sempre confira a tábua de marés do período da sua viagem.
O que é jangada?
A jangada é uma embarcação típica do Nordeste, tradicionalmente feita de madeira, usada há séculos por pescadores locais. Hoje em dia, além da pesca, ela também é muito utilizada para levar turistas até as piscinas naturais. Apesar do tamanho compacto, ela é estável e consegue navegar com segurança até os recifes.
O que você precisa saber antes de planejar sua viagem para o Nordeste
Dia 1: chegada em Recife e estrada até Maceió
Aluguel do carro
Pousamos no aeroporto de Recife e a van da Localiza já nos pegou na saída do desembarque, levando direto para a agência, que fica bem pertinho do aeroporto. Fizemos todo o processo de retirada do carro e acabamos alugando um C3 Aircross — um carro muito bom, gostamos bastante de dirigir. Foi até um upgrade, porque no site tínhamos escolhido uma categoria menor, o clássico carrinho de aluguel mais barato, mas acabamos recebendo esse modelo que é de uma categoria acima.
Hospedagem em Maceió
Como chegamos no final da tarde, dirigimos cerca de 4 horas entre Recife e Maceió, onde fizemos check-in no nosso Airbnb para 4 pessoas e pedimos um Ifood (estávamos muito cansados para sair procurar comida). No caminho, fizemos uma parada em um mercado para nos abastecer de água e algumas coisinhas para comer durante a estrada e também para a manhã seguinte, já que não tínhamos café da manhã incluso.
Nossa hospedagem ficava no bairro de Pajuçara, um dos mais recomendados, junto com Ponta Verde. Depois de jantarmos, fomos dar uma voltinha rápida noturna, já que estávamos a 5 minutos da praia.
Como são as estradas entre Recife e Maceió?
Achei que a estrada fosse ser bem pior do que realmente é. Em Pernambuco, realmente há muitos buracos, lombadas sem sinalização e placas antigas e com pouca manutenção (a tinta parecia que estava derretendo por cima dos escritos), o que dificulta a leitura, além de pouca iluminação. Vale destacar que optamos por ir pelo interior, não pelo litoral. A diferença na qualidade da estrada foi notável quando cruzamos a divisa de estados, assim que entramos em Maceió, a estrada melhorou bastante.
Foi tenso dirigir a noite nessas estradas, mas deu tudo certo
Dia 2: Maceió até Barra de São Miguel (Mirante do Gunga e Praia do Gunga) e Praia do Francês
No segundo dia da viagem, que é basicamente o primeiro dia de roteiro, dirigimos de Maceió até Barra de São Miguel, um trajeto de aproximadamente 40 minutos.
Barra de São Miguel
Para começar o dia, tomamos café da manhã na Panificação Paraíso da Barra, que é bem baratinho e fica na cidade de Barra de São Miguel. É uma ótima opção para quem vai fazer esse passeio, com opções de cuscuz e cafés de máquina. Nós pedimos um pão com ovo, que estava bem gostoso.
O caminho entre Maceió e Barra de São Miguel é lindo, cheio de coqueiros e palmeiras, dando aquele clima típico do litoral nordestino.
Mirante do Gunga
Nossa primeira parada foi o Mirante do Gunga. A entrada custa R$5 em dinheiro, pagos no restaurante do Mirante. Para subir, há uma escada circular, e lá de cima a vista é simplesmente maravilhosa: um mar de coqueiros que se estende até o mar, rende várias fotos lindas. Mas há um pequeno estresse por conta de pessoas disputando o melhor lugar, principalmente formando filas na própria escada. O estacionamento para o mirante é gratuito. Infelizmente esquecemos de subir o drone.
Praia do Gunga e o passeio até as falésias
Depois do Mirante do Gunga, seguimos direto para a Praia do Gunga, que fica literalmente ao lado. O estacionamento é pago: para carro custa R$30,00, que dividimos em quatro pessoas. Havia bastante vaga, mas o sol estava forte e os coqueiros não davam sombra suficiente.
Assim que descemos do carro, começaram a aparecer os guias oferecendo passeios. O mais famoso da praia é o passeio de 4×4 até as falésias do Gunga. Logo um rapaz com uma blusa que parecia oficial do lugar nos abordou, e decidimos fechar com ele mesmo, já que já tínhamos certeza de que faríamos esse passeio. Ele nos ajudou a comprar os ingressos, o que foi bem prático.
Esse é considerado o passeio que mais vale a pena na região, já que outros, como o passeio de barco, muitos relatam que não compensa.
Os preços eram os seguintes:
- Quadriciclo: R$200,00 por máquina (até duas pessoas).
- Buggy para até 4 pessoas + motorista: R$75,00 por pessoa.
- Buggy de 6 lugares (para dirigir): R$400,00 a máquina.
Nós optamos pelo quadriciclo, justamente pela experiência de poder dirigir. Depois de comprar os ingressos, precisamos esperar cerca de meia hora na fila, além de assinar um termo de responsabilidade e apresentar a CNH do motorista.
Esse passeio foi simplesmente um dos melhores da viagem. Nós fomos em dois: o Pietro dirigindo e eu fiquei na parte de trás. Eu tinha visto vídeos que mostravam que seria desconfortável, mas me surpreendi, achei bem tranquilo. Claro, o quadriciclo dá umas vibradinhas, mas nada que atrapalhe.
O percurso começa rente ao mar, em um trecho de terra com vista incrível para a Praia do Gunga. Os caminhos são separados: quem vai de buggy segue uma rota, e quem vai de quadriciclo segue outra. Cada guia conduz um grupo de três ou quatro quadriciclos, de forma bem organizada. Achei o sistema ótimo: os quadriciclos são numerados e saem em turmas com limite de participantes, o que traz segurança.
O passeio tem duas paradas principais:
- Falésias do Gunga – parada de cerca de 10 minutos para fotos. Os guias estacionam todos os quadriciclos em fila, cada grupo bem organizado. A paisagem é incrível.
- Lagoa Doce – descida até a praia (não é permitido nadar no mar), mas dá para entrar na lagoa, que tem a água bem quentinha.
O caminho é todo cercado por palmeiras, parecia até uma exposição natural, de tão lindo. No total, o passeio dura cerca de 1h10 (com ida, volta e as duas paradas).
Uma dica importante: leve um pau de selfie, porque as fotos e vídeos ficam muito mais legais se tirados de longe, mostrando o quadriciclo e a paisagem ao fundo.
Na hora de dirigir, é bem fácil: acelera na mão e controla pelo guidão. Entre as falésias e a lagoa, que ficam a apenas cinco minutos de distância, eu mesma quis dirigir só para experimentar, mas o resto do trajeto ficou todo com o Pietro.
Esse passeio sai de frente para a Praia do Gunga, logo depois do estacionamento, e foi uma experiência que recomendo muito.
Logo depois do passeio de quadriciclo, devolvemos o veículo no mesmo ponto de saída e já ficamos por ali, porque bem em frente ficam vários restaurantes para o pessoal almoçar. A gente escolheu o Gui Lanches & Refeições, que era o mais próximo. Os pratos variam de R$25 a R$40 e têm muitas opções: frango à milanesa, frango a passarinho, ovo, macarrão… Foi ótimo porque nossa amiga é vegetariana e ela conseguiu comer sem problemas. Achei os preços bem justos, principalmente para um lugar turístico.
O ponto negativo é que a gente chegou bem no horário de pico, junto com todo mundo que tinha acabado de voltar dos passeios, e aí nosso prato demorou quase 1h30 para ficar pronto.
Depois tentamos conhecer a Praia do Gunga, mas estava muito cheia e acabamos desistindo de ficar por lá.
Eu amei fazer esse passeio! Achei mais divertido do que ficar só na praia.
Marechal Deodoro
Saindo de Barra de São Miguel, seguimos em direção a Maceió, mas no meio do caminho tem a cidade de Marechal Deodoro, que é onde fica a famosa Praia do Francês. O trajeto entre Barra de São Miguel e Marechal Deodoro leva em torno de 23 minutos, então é uma ótima combinação para fazer no mesmo dia do passeio ao Gunga.
Praia do Francês
Marechal Deodoro é uma cidade bem charmosa, mais organizada e bonitinha do que Barra de São Miguel, com placas, lojinhas e vários estabelecimentos. Além de ser uma das cidades históricas mais importantes de Alagoas, é lá que está localizada a Praia do Francês, uma das mais conhecidas da região.
Assim que chegamos na Praia do Francês, estacionamos o carro um pouco mais longe para evitar os estacionamentos pagos, já que a oferta de vagas perto da praia é bem limitada. Quando chegamos na praia, percebemos que a praia estava tão lotada quanto a do Gunga — provavelmente por ser final de semana. A vibe era bem no estilo Ubatuba-Guarujá, bem cheia e agitada, o que não combina muito com o que a gente procura. Como não estávamos com cadeira e guarda-sol, acabamos nem ficando por lá, apenas subimos o drone, confirmamos que a praia é bonita e seguimos o passeio rs.
Passada super rápida, não achamos nada demais
Fim de tarde em Maceió: Pajuçara e Ponta Verde
No finalzinho da tarde, depois de não pararmos na Praia do Francês, seguimos direto para Maceió, onde iríamos pernoitar. Em setembro, o sol se põe bem cedo no Nordeste, por volta das 17h já começa a escurecer, então aproveitamos o restinho do dia para conhecer a orla da capital.
Polêmica da Fábrica da Braskem em Maceió
Na entrada da cidade, passamos em frente à fábrica da Braskem, uma petroquímica que ficou no centro de uma grande polêmica em Maceió. A empresa foi responsabilizada por décadas de exploração de sal-gema na região, o que causou instabilidade do solo e resultou no afundamento de cinco bairros inteiros. Milhares de famílias tiveram que deixar suas casas, e até hoje algumas áreas permanecem desertas e interditadas. Foi um dos maiores desastres ambientais urbanos já registrados no Brasil.
Praia de Pajuçara
Depois desse impacto inicial, fomos andar pela Praia de Pajuçara, mas encontramos bastante sargaço na areia. Há muitas jangadas coloridas que fazem passeios para as piscinas naturais.
Praia de Ponta Verde e a Cadeira Gigante de Maceió
Seguimos caminhando pela orla, que é praticamente contínua até a Praia de Ponta Verde, um dos pontos mais famosos de Maceió, que é uma continuação natural da Praia de Pajuçara. A orla é bem movimentada, cheia de bares, restaurantes e quiosques, e tem aquele clima gostoso de fim de tarde nordestino. Mesmo com o sargaço que vimos mais cedo em Pajuçara, valeu a caminhada pela beira-mar. Fizemos um pequeno desvio atravessando a avenida para ver a cadeira gigante, ícone da cidade. Havia fila para tirar fotos e claro que não entramos. Também estavam cobrando R$1 por foto e R$50 caso quisessem vídeos feitos com drone.
Marco dos Corais
No cantinho da orla de Ponta Verde fica o Marco dos Corais, um deck construído sobre o mar. O lugar tem uma vista privilegiada de toda a orla de Pajuçara e Ponta Verde e fica ainda mais bonito no pôr do sol, quando as luzes começam a acender na cidade e o céu ganha tons alaranjados. É um ótimo ponto para fechar o dia com fotos e apreciar o visual de Maceió iluminada.
O coco na orla de Maceió custa R$5
Dia 3: De Maceió a São Miguel dos Milagres
No nosso terceiro dia de viagem, deixamos Maceió, fizemos o check-out e começamos a subir o litoral em direção a São Miguel dos Milagres. Importante não confundir: São Miguel dos Milagres não é a mesma coisa que Barra de São Miguel, que foi a praia que visitamos no dia anterior. O trajeto entre as duas cidades leva cerca de 2 horas e 7 minutos, e já na chegada fomos recebidos por um cenário cheio de coqueiros e palmeiras, anunciando as praias paradisíacas da região. Nossa primeira parada foi a Praia do Toque.
Praia do Toque
Como só iríamos passar o dia em São Miguel dos Milagres, estávamos com todas as malas no carro. Isso deixou a missão de estacionar um pouco tensa, já que não encontramos estacionamento público e tivemos que deixar o carro na rua, em uma estradinha de terra. Mas no fim deu tudo certo. O acesso à praia é feito pelo charmoso Beco do Amor, que leva direto até a areia.
No início, o tempo estava nublado e a praia estava tomada por sargaço, o que deixou a expectativa meio frustrada. Mas bastaram alguns minutos para o sol aparecer e transformar completamente o cenário: o mar ficou em um tom de azul turquesa impressionante, mostrando porque essa praia é tão famosa.
Ali mesmo encontramos um jovem que explicou sobre os horários da maré. Nesse dia, a maré só ficaria bem baixa no final da tarde, depois do almoço, então não era possível fazer os passeios mais famosos durante a manhã. Mesmo assim, aproveitamos o visual. Tivemos ainda a sorte de avistar um peixe-boi marinho bem de relance, que aparecia a cada dois minutos. Foi emocionante, mesmo que rápido.
A Praia do Toque também é conhecida por ser refúgio de celebridades. Conversando com o mesmo jovem, soubemos que Djavan e Glória Pires têm casa por lá, e que a praia costuma receber famosos durante as férias.
Prainha gostosa, mas não ficamos muito
Praia de Porto da Rua
De lá seguimos para a Praia de Porto da Rua, uma das principais da região de São Miguel dos Milagres. Foi nossa parada para o almoço, no restaurante Self-service da Erika. O esquema é bem simples: o prato custa R$25 fixos, incluindo duas proteínas, e o restante é à vontade. Achei a comida gostosa, apesar das poucas opções de proteína no dia — pedi um peixe que estava com sabor bem forte, e também havia frango a passarinho e carne moída. No geral, uma refeição justa e muito em conta, mantendo aquela boa surpresa que estávamos tendo com os preços em Alagoas.
Depois do almoço, aproveitamos para tomar um sorvete em frente à praia, e também subimos o drone para registrar a vista aérea da região. A praia é bem bonita vista do alto, com suas águas em tons de verde e azul, e foi um momento perfeito para contemplar ainda mais a paisagem.
Enquanto estávamos ali, um guia se aproximou oferecendo o passeio de jangada até as piscinas naturais de Porto da Rua. Topamos na hora, já que queríamos muito fazer esse tipo de passeio em São Miguel dos Milagres e a maré estava baixando justamente naquele momento, tornando a oportunidade ideal. Assim, seguimos com ele rumo à jangada depois do sorvete.
O passeio de jangada saiu dessa praia, mas a piscina natural fica na outra
Passeio das Piscinas Naturais na Praia do Toque
Aquele jangadeiro que nos abordou na sorveteria ofereceu o passeio inicialmente por R$70,00 por pessoa, mas conseguimos negociar e ele fechou em R$60,00. Foi a melhor forma de aproveitar o dia em São Miguel dos Milagres, já que a maré estaria mais baixa naquele período da tarde.
O passeio começou na Praia de Porto da Rua, mas a piscina natural em que desembarcamos ficava na Praia do Toque. Isso é comum, porque os jangadeiros sempre escolhem a área mais favorável no dia: a que está com a maré mais baixa, menos gente ou melhor visibilidade.
Assim que a jangada vai se afastando da orla, dá para ouvir bem o barulho do motorzinho e fica a sensação curiosa de estar indo para o “meio do mar”, mas ainda assim chegar a uma parte onde a água é extremamente rasa. Logo nos aproximamos de várias jangadas ancoradas, todas estacionadas lado a lado, e o guia posicionou a nossa junto delas. Ali descemos e começamos a explorar.
É muito interessante pensar que, mesmo tão longe da praia, a água batia apenas na cintura e em alguns trechos até no quadril. A profundidade que pegamos foi de aproximadamente meio metro. Como havia chovido no dia anterior, a água estava um pouco turva, mas ainda assim dava para ver bastante peixe em volta dos corais. São aqueles clássicos peixinhos que a gente vê em fotos — que parecem azul e amarelo por conta da edição, mas que na vida real são mais amarelo e cinza.
No local, vimos vários fotógrafos oferecendo serviços: fotos de drone com boias coloridas (como a famosa boia de melancia), barquinhos transparentes e também os registros com dome de GoPro, que mostram metade da imagem dentro da água e metade fora. Eles até jogam ração para atrair os peixinhos e deixar a foto mais bonita. Eu não levei o celular, então todas as minhas fotos foram feitas com o celular da minha amiga, que estava protegido com uma capinha à prova d’água. O Pietro também subiu o drone e as imagens ficaram lindas, mostrando os corais de cima e toda a barreira natural que se forma ali. É importante dizer que os visitantes não ficam sobre os corais — justamente para preservar o ecossistema —, mas sim nas áreas de areia ao redor deles.
Nossa primeira experiência visitando uma piscina natural na viagem
Na volta do passeio, que durou aproximadamente 1 hora e pouco, tomamos outro sorvetinho daquele na frente da Praia Porto de Rua (onde o carro estava estacionado) e passamos pela Praia do Patacho, que fica na cidade de Porto de Pedras, no meio do caminho seguindo rumo à Maragogi, onde pernoitamos nessa noite. Nessa praia há bastante coqueiros, mas como já estava no final da tarde só paramos tirar umas fotos.
Em Maragogi, fizemos o check-in na pousada, deixamos as malas e conversamos com o dono para reservar o passeio das piscinas naturais (Galés) do dia seguinte. Após termos quitado essa pendência, fomos bater perna no centrinho, dando boas vindas à Maragogi. Para jantar, pedimos um hamburguer que ficava pertinho da nossa hospedagem.
Dia 4: Maragogi
No quarto dia da viagem, acordamos bem cedinho em Maragogi. Uma dica importante é deixar o passeio das piscinas naturais reservado na noite anterior, para não correr o risco de ficar sem vaga ou não encontrar jangadeiros disponíveis de manhã.
No nosso caso, quando chegamos em Maragogi e fizemos o check-in, descobrimos que o dono da pousada tinha contato direto com jangadeiros locais. Foi com ele mesmo que combinamos o passeio, que sairia às 6h30 da manhã. Como é super cedo, dificilmente você vai encontrar alguém oferecendo o passeio na praia nesse horário, já que a orla costuma estar praticamente deserta, mesmo sendo o momento de maré baixa. Muita gente prefere agendar para mais tarde, quando o sol já está mais alto e a praia mais movimentada.
Por isso, se programe com antecedência. Quem é dono de pousada ou trabalha com turismo na região normalmente tem contatos diretos e pode te ajudar a garantir o passeio ideal. Também vale sempre conferir a tábua de marés antes de reservar — ela indica os horários em que a maré estará mais baixa, e isso faz toda a diferença na experiência.
O índice mostrado na tábua é a altura da água, e o ideal para visitar as piscinas naturais é entre 0 e 0,5 metro. Quanto mais baixa a maré, mais visíveis ficam os corais e os peixinhos. Nós pagamos R$ 75,00 por pessoa, um pouco mais caro do que em São Miguel dos Milagres, mas nesse caso o passeio foi feito de lancha e não de jangada, o que torna a experiência bem diferente.
Passeio das Piscinas Naturais em Maragogi
As piscinas naturais de Maragogi são formações de corais em áreas de maré baixa, criando verdadeiros aquários naturais. As mais famosas são chamadas de três Galés: Galé do Norte (Barra Grande), Galé Central (Taocas) e Galé do Sul. No nosso passeio, o jangadeiro nos levou para a que estava mais vazia naquele dia (Taocas), já que teoricamente as três são bem parecidas, e eles têm uma tabela indicando qual está com a maré mais baixa. Assim que entramos na lancha, podemos escolher qual visitar.
Depois de São Miguel dos Milagres, fizemos o passeio das piscinas naturais em Maragogi
Dentro da lancha, o responsável já anuncia que está vendendo fotos com GoPro e Dome. Eles ofereciam 25 fotos por casal por R$ 150,00, um valor bem alto. No nosso caso, não queríamos comprar, mas teve um fotógrafo insistente que acabou tirando 14 fotos minhas, sem compromisso. Ele pediu para fazer umas poses engraçadas, tipo coraçãozinho coreano e braços abertos, que eu não teria escolhido se fosse pagar. No fim, ele pegou meu WhatsApp e me enviou todas as fotos sem cobrar, e eu mandei apenas um pix com um valor simbólico.
Ele mostrou na hora como ficava a edição das fotos, e é perceptível que aquelas imagens de água super azul que vemos na internet têm uma boa dose de edição. Então, fica a dica: a beleza natural é incrível, mas não se iluda com cores exageradas das fotos que circulam online.
O passeio das piscinas naturais em Maragogi foi bem legal, basicamente a mesma experiência que tivemos em São Miguel dos Milagres. Não tem grandes mudanças: peixes, água rasa e corais. Fomos ficando uns 30 a 40 minutos na água, e o bom é que havia menos gente do que em São Miguel, apesar do fotógrafo insistente ter sido um pouco chato.
Durante o trajeto, a lancha passou pela Praia de Antunes, mas ninguém do nosso grupo quis descer, pois ainda era cedo e queríamos voltar para a pousada para tomar café. Também passamos pelo famoso Caminho de Moisés, mas como a maré estava meio alta, não se formava o caminho de areia, e a água batia na cintura. Havia gente vendendo caipirinha e alguns balanços em forma de coração para fotos, mas nem dava para usar por causa da maré. A expectativa era grande, lembrando praias como a da Baleia, na Costa Rica, que visitamos no ano passado — com a maré baixa, dava para andar até as pedras.
Depois do passeio, voltamos cedo para a Pousada Le Belle, tomamos café, banho, demos um cochilinho e, na parte da tarde, fomos experimentar um açaí no Açaí da Carla, uma ótima opção para recuperar energia depois de tanta água e sol.
Esse tom de azul foi edição do moço que me vendeu as fotos! Maré alta no Caminho de Moisés: passava até lancha
Ponta de Mangue
Depois do açaí, seguimos de carro para a Praia Ponta de Mangue. O estacionamento foi um pouco complicado, porque a rua é como um beco de terra, estreita e esburacada, mas conseguimos achar um cantinho para deixar o carro. A praia é linda e, na nossa opinião, foi a mais bonita de Maragogi. Até então, só tínhamos passado pela praia da cidade e avistado a de Antunes da lancha, então essa foi uma ótima surpresa.
A Ponta de Mangue tem muitos coqueiros, uma faixa longa de areia e não estava cheia de guarda-sóis, que ficavam mais para trás, deixando bastante espaço para andar. Na área sem estrutura de restaurantes ou barzinhos, a praia estava praticamente vazia, o que deixou o passeio bem tranquilo e ótimo para fotos. Subimos o drone e conseguimos registrar o final da tarde, capturando a beleza natural do lugar e várias fotos incríveis.
De drone, conseguimos ver vários resorts particulares em Ponta de Mangue e um coqueiro caído perfeito para fotos — dá a impressão de que toda praia do Nordeste tem um coqueiro caído.
Caminho de Moisés
Depois de sair da praia, bateu o horário que a maré ia baixar de novo, então tentamos dar mais uma chance para o Caminho de Moisés. Mas, nesse dia, a maré ainda não estava suficientemente baixa; a água cobria praticamente os balanços, e a experiência não ficaria tão paradisíaca como nas fotos. Uma amiga comentou que dá para andar, mas parece um pouco artificial, com muitas pessoas vendendo óculos, comida, bebida, cangas, e enfeites meio “brega”, parecendo a 25 de março no meio do mar.
Centrinho de Maragogi
Já estava escuro, então fomos para o centrinho de Maragogi. Uma dica é experimentar salgados e docinhos na Delícias da Babel, que é muito gostoso e barato — atenção para ir na loja, porque o trailer na rua cobrava o dobro do preço. E, nesse dia, 16 de setembro, quando estávamos à noite em Maragogi, era feriado da emancipação política de Alagoas. Havia desfiles com adolescentes tocando bateria, saxofone e dançando, celebrando a separação oficial de Pernambuco em 1817, após a Revolução Pernambucana.
Aproveitamos para visitar a feirinha de artesanato e comprar alguns ímãs de lembrança de Maragogi.
Amei essa praia! Cheia de coqueiros
Dia 5: Praia dos Carneiros e Porto de Galinhas
No quinto dia, nos despedimos de Alagoas para riscar mais um estado do nosso mapa. Saímos do nosso 11º estado visitado em direção ao 12º: Pernambuco! Aliás, se você quiser ver todos os lugares por onde já passamos e se inspirar para sua próxima viagem, clique aqui para conferir por onde já passamos. 🗺️
Começamos o dia com um café da manhã reforçado na pousada em Maragogi: muito bolo de rolo (clássico!) e tapioca com queijo e ovo. Com o estômago feliz, pegamos o carro e começamos a subir de volta para Recife. Na ida, tínhamos passado direto por Pernambuco para chegar logo em Maceió, mas agora era a hora de explorar o litoral pernambucano.
A diferença na estrada ao cruzar a divisa de estados é imediata. Assim que entramos em Pernambuco, os muitos buracos voltaram a aparecer, e para completar o cenário, pegamos um pouco de chuva durante a manhã. Dirigimos por cerca de 1 hora até o nosso primeiro destino: a famosa Praia dos Carneiros.
Praia dos Carneiros (Tamandaré) ⛪
A Praia dos Carneiros fica na cidade de Tamandaré, que não é exatamente uma cidade para pernoitar, mas a praia é parada obrigatória e perfeita para encaixar num roteiro entre Maragogi e Porto de Galinhas.
Sendo muito sincera com vocês sobre o acesso: muitos restaurantes e “day uses” cobram valores altíssimos para você estacionar e entrar na praia. Mas nós fomos direto no acesso público. Para achar, você deve procurar no Google Maps por “Acesso Público à Praia”.
Dicas para economizar em Carneiros:
- Estacionamento: Não há estacionamento oficial nesse acesso, então paramos o carro na rua mesmo.
- Entrada: Pelo acesso público, a entrada na praia é totalmente gratuita.
- A caminhada: Do ponto onde deixamos o carro até a famosa Igrejinha de São Benedito (aquele cartão-postal à beira-mar), dá uns 20 minutos de caminhada por um “bequinho” contornando a praia.
Igrejinha de Carneiros
Ao chegarmos na igrejinha, o cenário foi um pouco desanimador. Estava completamente lotada. O tempo começou a abrir, mas o que incomodou foi a organização paralela que rola por lá: havia três filas de fotógrafos fazendo poses para casais e ficando bravos com turistas que passavam na frente. Mesmo sendo um lugar público, os fotógrafos pareciam “mandar” no espaço, com direito a troca de roupa e até xingamentos contra gringos que não entendiam o que estava acontecendo. Conseguimos tirar uma foto de canto para não atrapalhar e o Pietro subiu o drone.
A igrejinha é bem menor do que parece nas fotos, mas é uma graça. Tirando a confusão dos turistas, foi a praia mais linda que já visitei, com a água muito clarinha e uma infinidade de coqueiros e palmeiras na orla.
A famosa Igreja de São Benedito foi construída no século XVIII (por volta de 1760) e fica dentro de uma propriedade particular, o Sítio Carneiros. O estilo é o clássico barroco litorâneo, e ela é muito procurada para casamentos de luxo. Apesar de estar em área privada, o acesso pela areia é livre para todos os turistas, mas a igreja só abre para visitação interna ou missas em horários bem específicos e raros.
Uma dica de ouro para quem quer aproveitar Carneiros de verdade: não fique parado só ali na frente da igreja. Nós fomos andando pela orla até a “curva” da praia (dá para ver direitinho o desenho no Google Maps). Quanto mais você se afasta da igrejinha, mais a multidão some. É nessa parte que estão os corais, a água fica ainda mais clarinha e a densidade de coqueiros é surreal.
Ali é a área onde ficam os grandes resorts e hotéis de luxo, como o Pontal dos Carneiros Beach Bungalows, a Pousada Praia dos Carneiros e o Eco Resort Carneiros. É, sem dúvida, o trecho mais bonito da praia. Tiramos várias fotos lindas por lá com calma.
Na volta para o carro, batemos um milho cozido por R$ 10 — estava uma delícia (alô, Larissa Manoela! 🌽). Passamos novamente em frente à igrejinha por volta das 14h e, para nossa surpresa, estava bem mais vazio. Acho que os fotógrafos tinham saído para o horário de almoço 😂, então conseguimos garantir uma foto melhor. Minha amiga até entrou na igreja e filmou lá dentro para mim; eu acabei esquecendo de entrar, mas valeu o registro.
Uma das praias mais lindas que já fomos
Porto de Galinhas
Saímos de Carneiros e seguimos estrada por cerca de 1 hora até Porto de Galinhas. Novamente, a estrada estava bem ruim e cheia de buracos. Na minha opinião, a Praia dos Carneiros é perfeita para passar uma tarde: se você estiver descendo o litoral, durma em Maragogi; se estiver subindo (como nós), durma em Porto de Galinhas.
No caminho, fomos parados em uma blitz e o Pietro foi selecionado para fazer o bafômetro. Como ele não tinha bebido nada, foi super tranquilo e seguimos viagem, mas fica o alerta: a fiscalização por ali parece ser intensa, o que faz todo sentido já que muita gente bebe na praia e pega a estrada depois. Se beber, não dirija!
Ao chegarmos em Porto de Galinhas, fomos direto para a nossa hospedagem. Ficamos em um apartamento que custou apenas R$ 50 por pessoa a diária (estávamos em 4). O lugar era excelente: dois quartos, dois banheiros, sala, cozinha completa e até piscina. Se quiser conferir, este é o link do Airbnb. 🏠
O apê ficava a apenas 5 minutos da praia principal da cidade, então aproveitamos o final da tarde para ir até lá. Mas, sendo sincera, o que mais me ganhou foi o centrinho de Porto de Galinhas. É, sem dúvida, o centrinho mais legal de toda a viagem!
A vila é enorme e muito vibrante. Tem de tudo: muitas lojas de souvenir com as famosas galinhas de cerâmica, ruas decoradas com guarda-chuvas coloridos, estátuas do Shrek, galinhas gigantes para fotos e até um sorvetão gigante — que o Pietro, claro, não perdeu a chance de tirar uma foto. 🍦📸
Um destaque gastronômico foi a loja Fino Nordeste. É uma loja “gourmet” de bolo de rolo com diversos sabores e, o melhor, tem degustação! O tradicional é o de goiabada, mas o nosso favorito disparado foi o de maracujá. Vale muito a pena passar lá para experimentar e levar para casa.
Centrinho super legal!
Dia 6: Porto de Galinhas, Muro Alto, Cupê e Maracaípe
No sexto dia, fomos a pé do nosso Airbnb para a praia principal de Porto de Galinhas. Logo na chegada, já fomos abordados por vários flanelinhas e guias oferecendo os passeios de jangada até as piscinas naturais.
Dica de ouro: Em Porto de Galinhas, dependendo da maré, você não precisa necessariamente de passeio para ver os corais. Eles ficam muito perto da areia e dá para atravessar a pé tranquilamente. Para quem tem receio, existem os barquinhos que fazem o trajeto, mas se a maré estiver baixa, você economiza esse valor e vai por conta própria.
Ficamos muito felizes de ter ido sem carro, porque os flanelinhas por ali são bem insistentes: querem escolher onde você estaciona e tentam a todo custo te convencer a fechar os passeios com eles. Como fomos andando, evitamos esse estresse.
Para fazer a travessia até o coral, a maré precisa estar bem baixa. No momento em que chegamos, a maré já estava subindo e o céu fechou completamente. Em poucos minutos, caiu um temporal forte! O pessoal local disse que é comum essas pancadas de chuva no Nordeste; realmente durou alguns minutos e o sol logo abriu de novo.
Ficamos na beira da praia e conseguimos ver alguns peixinhos, já que tem um coral logo na orla também. Atenção: muito cuidado ao andar por ali, pois os corais cortam bastante (eu mesma acabei me cortando). O que mais vimos nesse trecho foram muitos caranguejos entre as pedras.
Café da manhã em Porto de Galinhas
Depois de aproveitar a praia, fomos tomar café na padaria Porto Café e Delícias. Nós amamos o combo básico e certeiro: pão com requeijão na chapa e um ovo. Pedimos dois desses, um café e um pedaço de bolo, e a conta deu R$ 50 para nós dois. Um preço bem honesto para o que a vila oferece.
Bom demais cafezinho de padaria!
Praia de Muro Alto
Na parte da tarde, pegamos o carro e fomos para a Praia de Muro Alto, a cerca de 15 minutos ao norte de Porto de Galinhas. Dica de estacionamento: tente estacionar um pouco antes das entradas principais para não pagar os R$ 20 que os flanelinhas cobram.
A paisagem de Muro Alto muda conforme você caminha. No começo da estrada, a areia é mais dourada, mas conforme fomos andando para perto dos resorts, a areia foi ficando branquinha. Como não queríamos pagar aluguel de guarda-sol, demos um jeitinho: sentamos no deck de um resort (sem ninguém ver rs) para aproveitar a sombra. A água em Muro Alto é aquela delícia típica do Nordeste, muito quentinha, então aproveitamos para nadar um pouco.
Água super quentinha pra nadar!
Praia do Cupe e Pontal do Cupe
Saindo de Muro Alto, fomos descendo em direção à Praia do Cupe. Acabamos entrando por um acesso que os locais dizem ser o “errado”, porque as ondas eram bem fortes e não havia estrutura de barracas. Deixamos o carro na rua de graça e usamos o lugar apenas como um mirante, a vista é linda.
Seguimos então para a entrada “correta”, que é no Pontal do Cupe. Também conseguimos parar de graça na rua. Para quem não está de carro, uma opção comum na região é contratar um passeio de buggy para visitar Muro Alto e o Cupe no mesmo dia; vimos vários deles estacionados por lá.
Confesso que, no Pontal do Cupe, onde fica o “fervo” e as barracas, não curtimos tanto. Preferimos lugares mais sossegados. Mais uma vez, fugimos do aluguel de guarda-sol e ficamos na sombra dos coqueiros dos resorts. Molhamos só os pés, porque o sol estava castigando!
❄️ Dica de Ouro: Congelem garrafas de água na noite anterior. Com o calorão, ela vai derretendo aos poucos e você tem água geladinha para o dia inteiro.
Nessa aqui nem entramos, tava muito sol!
Onde comer barato em Porto de Galinhas
Já era meio tarde quando fomos almoçar e encontramos o Pizzalia. Pedimos uma parmegiana que estava muito boa! Um detalhe curioso da região é que eles costumam servir a parmegiana acompanhada de macarrão e não de arroz, como estamos acostumados em outros lugares. O prato custou apenas R$ 21,90 — achamos muito barato e gostoso, e o cardápio tinha várias outras opções nesse mesmo valor.
Centrinho de Porto de Galinhas (agora de dia)
Depois do almoço, fomos bater perna no centrinho novamente, dessa vez com a luz do dia. O Pietro aproveitou para subir o drone e a visão de cima é impressionante: a vila é enorme, cheia de ruelas e caminhos que você só percebe do alto. Dá para perder muito tempo explorando cada cantinho dali.
A vista da praia principal lá de cima também é bem legal, com aquele mar de guarda-sóis coloridos espalhados pela areia. Para refrescar, provamos o famoso sorvete de coco servido na própria casca. É uma delícia e super “instagramável”, mas sendo bem sincera: achamos caro pela quantidade. Pagamos R$ 25 por duas bolas, mas valeu pela experiência e pelo calor que estava fazendo.
Esse sorvete tava uma delícia!!!
Coqueiral de Maracaípe
No final da tarde, fomos até o Coqueiral de Maracaípe, um dos lugares que eu mais estava ansiosa para conhecer. É um trecho com muuuuitos coqueiros, um do lado do outro, que rende fotos surreais.
Mas fica o aviso: sofremos um pouquinho para chegar! Acabamos entrando pelo acesso de buggys porque não encontramos a entrada para carros comuns e quase atolamos o carro. Foi um sufoco, mas no fim deu tudo certo e conseguimos chegar. O lugar é maravilhoso, fica de frente para o mar e o Pietro aproveitou para subir o drone e garantir os melhores ângulos de cima.
Um dos lugares mais lindos da viagem
Pôr do sol e Cavalo-Marinho no Pontal de Maracaípe
Por volta das 17h, seguimos para o Pontal de Maracaípe para fazer o famoso passeio para ver o cavalo-marinho. Chegamos bem na hora do pôr do sol, que é um espetáculo à parte naquela região.
O estacionamento custou R$ 10 e o passeio de jangada saiu por R$ 60 por pessoa. Como os estacionamentos de fora estavam lotados (o oficial acho que era R$30), um flanelinha nos ajudou e acabamos estacionando literalmente no quintal da casa dele.
Eu confesso que fiquei com um pouco de receio de postar sobre esse passeio, porque sei que muita gente pode pensar que é exploração animal. Mas já adianto: tudo é feito com muito respeito e foco total na preservação. O manguezal ali é o berçário natural dos cavalos-marinhos.
Existem pesquisas e protocolos rigorosos que garantem a água limpa e o monitoramento da população. A interação é segura, feita sem estresse ou manipulação inadequada dos bichinhos. O guia entra na água, nos mostra o cavalo-marinho com cuidado e logo o devolve para o seu habitat. É uma experiência de contemplação muito bonita e educativa.
Entramos na jangada e várias outras saem juntas no mesmo horário, todas bem coloridinhas, criando um visual lindo no rio. O passeio acontece em um “braço de mar” e a dinâmica é interessante: os mergulhadores ficam procurando os cavalos-marinhos enquanto a jangada fica estacionada. Como eles são difíceis de encontrar, a espera pode demorar, mas enquanto isso os guias vão nos mostrando os caranguejos que ficam soltos por ali.
Quando um mergulhador finalmente encontra um, ele avisa os outros e forma-se uma fila de jangadas. É tudo muito rápido para não estressar o bicho: eles colocam o cavalo-marinho em uma jarra transparente com água, trocam essa água constantemente e, assim que 2 ou 3 jangadas conseguem ver, ele já é devolvido para o rio. Vimos uma fêmea bem pequenininha, mas ela parecia meio “tristinha”. O guia nos explicou que esses animais são extremamente sensíveis.
As jangadinhas todas coloridas
Curiosidades sobre os Cavalos-Marinhos
Os cavalos-marinhos são peixes singulares que vivem em águas salgadas e tropicais. Uma das maiores curiosidades é que eles são monogâmicos e, quando perdem seus parceiros, podem entrar em um estado de “depressão” e isolamento. Além disso, no mundo deles, quem manda na reprodução são os machos: é o pai quem carrega os ovos em uma bolsa incubadora e “dá à luz” aos filhotes. Eles também são mestres da camuflagem, mudando de cor para se misturar aos corais e fugir de predadores.
Para fechar o dia com chave de ouro, fomos presenteados com um pôr do sol espetacular no Pontal. Ainda paramos em uma prainha ali mesmo no Pontal, onde tem várias barraquinhas para comer e beber assistindo ao pôr do sol. Recomendo muito fazer o passeio nesse horário, porque o visual é simplesmente maravilhoso e a energia do lugar é outra.
Última passada no centrinho de Porto de Galinhas
Voltamos com a jangada para o ponto de apoio, pegamos o carro e retornamos para o centro de Porto de Galinhas. Como já contei, nós amamos aquele centrinho e resolvemos ir para lá mais uma vez para nos despedir. Compramos espetinho, pegamos uma cerveja gelada e ficamos aproveitando a última noite. Entramos em várias lojinhas e eu ainda acabei sendo “vítima” de uma batalha de rimas no meio da rua kkkkkk foi super divertido.
Ela parecia tão tristinha
Dia 7: Última chance em Porto de Galinhas e o retorno para Recife
No nosso último dia, acordamos decididos a dar uma última chance para as piscinas naturais de Porto de Galinhas. Como já expliquei aqui no post, o segredo é conferir a tábua de marés para chegar no horário exato da maré baixa. Demos sorte e, dessa vez, o tempo colaborou e não pegamos chuva.
A logística para chegar ao coral é bem organizada, mas exige paciência. Formou-se uma fila enorme dentro da água, entre a orla e os corais, para quem queria fazer a travessia nadando/andando. O pessoal local faz um controle rígido da quantidade de pessoas que sobem no coral e chegam até a distribuir pulseirinhas. Ficamos quase 1h nessa fila e foi impressionante observar o movimento do mar: a maré baixou exatamente no horário indicado e, nem 5 minutos depois, já começou a subir novamente. É tudo muito rápido!
O “Mapa do Brasil” e a muvuca nos corais
Quando finalmente chegou nossa vez de subir, tivemos que seguir uma “trilha” marcada sobre os corais para respeitar o ecossistema. Não é permitido entrar nas piscinas; elas são como “buracos” no coral com água cristalina e muitos peixinhos. Estava uma verdadeira muvuca de pessoas, e vimos muitos ouriços escondidos nas fendas dos corais, então todo cuidado é pouco.
É ali que fica a famosa piscina natural que tem o formato do mapa do Brasil. Tentei usar o celular com aquela capinha à prova d’água para filmar embaixo da água, mas embaçou tudo. Sendo sincera: não recomendo essas capinhas, a qualidade das fotos e vídeos fica péssima. Depois de finalmente conhecer esse cartão-postal, voltamos para o carro e seguimos viagem rumo a Recife.
Eu vi uma pedra de cachorrinho dentro do buraco com o mapa do Brasil, e vocês?
Olinda
Saindo de Porto de Galinhas, levamos pouco mais de uma hora para chegar à capital, retornando à cidade onde iniciamos nossa jornada. Passamos direto por Recife e seguimos para Olinda, que fica a cerca de 20 minutos ao norte da capital.
Olinda é uma cidade bem rápida de visitar se você focar nos pontos principais. A dica é jogar “Alto da Sé” no GPS, estacionar por ali e seguir rumo à igrejinha famosa. O lugar é repleto de feirinhas de artesanato e possui um mirante incrível com vista para o mar, para a cidade baixa de Olinda e para o skyline de Recife.
Fundada em 1535 por Duarte Coelho, Olinda é uma das cidades mais antigas e historicamente ricas do Brasil. Ela foi a sede da Capitania de Pernambuco e viveu um período de extremo luxo e riqueza graças à indústria do açúcar, até ser incendiada pelos invasores holandeses em 1631. Após a reconstrução, a cidade manteve seu traçado urbano colonial e sua arquitetura barroca, o que lhe rendeu o título de Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela UNESCO em 1982. Caminhar por suas ladeiras é literalmente caminhar pela história do Brasil Colonial.
Alto da Sé
Conseguimos um verdadeiro milagre: estacionamos gratuitamente na Ladeira da Misericórdia sem sermos abordados por nenhum flanelinha (o que é raro, já que vimos muitos pelo caminho até ali). De lá, subimos a ladeira a pé em direção ao Alto da Sé, que é o principal ponto turístico da cidade e oferece aquela vista clássica das ladeiras com o mar ao fundo.
É nessa região que ficam os famosos Bonecos de Olinda (não chegamos a visitar porque não deu vontade no momento) e o Observatório Astronômico de Olinda. Para quem gosta de comer, há várias barraquinhas de tapioca e lembrancinhas por todo o pátio. O Pietro aproveitou o mirante para subir o drone e garantiu fotos sensacionais da igrejinha e da cidade vista de cima.
Catedral da Sé
A Catedral de São Salvador do Mundo, mais conhecida como Catedral da Sé, é a igreja matriz de Olinda e possui uma história que remete ao século XVI. Originalmente construída em 1540 como uma pequena capela, ela foi destruída pelos holandeses e reconstruída anos depois, misturando os estilos maneirista e barroco. É um dos marcos mais importantes da arquitetura religiosa no Brasil e oferece uma das vistas mais disputadas da região. É bem em frente à catedral que você encontra o famoso letreiro colorido da cidade de Olinda, parada obrigatória para aquele registro clássico da viagem!
Do lado da igrejinha, você vai encontrar muitas lojas de souvenir — foi ali que aproveitamos para garantir nossos imãs de geladeira. Na volta para a Ladeira da Misericórdia para pegar o carro, bem na frente das barraquinhas e descendo algumas ruas, tem um centrinho de artesanato super charmoso. Ele conta com um mirante que oferece a mesma vista espetacular lá do alto e um corredor de guarda-chuvas coloridos que rende fotos lindas!
A Ladeira da Misericórdia em si é um charme à parte, cheia de casinhas coloridas e históricas. Bem próximo dali tem a famosa Casinha Amarela de Alceu Valença. É o casarão onde o artista viveu e que se tornou um símbolo de Olinda, parada obrigatória para quem quer registrar a fachada de um dos maiores ícones da cultura pernambucana.
Fim de tarde no Recife Antigo
Saímos de Olinda e voltamos para a capital. Como era nossa última tarde da viagem e o dia já tinha rendido muito (começamos lá em Porto de Galinhas, lembra?), tivemos pouco tempo para explorar Recife. Focamos no Centro Histórico, mas preciso ser sincera com vocês: não achei a cidade tão charmosa. Ela passa uma impressão de estar um pouco “velha” e abandonada em vários pontos.
Para o almoço, paramos no Armazém Rio Branco. Foi um achado! Muitos pratos excelentes por apenas R$ 29,90. Eu pedi uma parmegiana tão bem servida que sobrou; pedimos uma marmita de isopor e já garantimos o jantar daquela noite.
Marco Zero de Recife
O Marco Zero, localizado na Praça Rio Branco, é o coração histórico da cidade e o ponto de onde todas as distâncias rodoviárias de Pernambuco são medidas. A praça foi o local de fundação da Vila do Recife no século XVI, servindo como o principal porto para o escoamento de açúcar.
Hoje, o grande destaque visual é o enorme painel de autoria do artista plástico Cícero Dias desenhado no chão da praça. De lá, você consegue ver o Parque das Esculturas de Francisco Brennand, que fica logo em frente, do outro lado do Rio Capibaribe. É um lugar com muita história e que ferve durante o Carnaval.
Na frente do Marco Zero, entramos em um Centro de Artesanato muito bom, com várias lojas vendendo itens de decoração, cafés e produtos típicos. É um ótimo lugar para garantir aquelas lembranças mais caprichadas.
Porém, preciso relatar um momento bem tenso que passamos logo depois. Assim que saímos para a praça, fomos praticamente abordados por umas 10 pessoas ao mesmo tempo “me atacando” porque queriam a marmita que eu estava segurando. Fiquei horrorizada com a quantidade de pessoas em situação de rua em Recife. O Pietro chegou a ver um homem literalmente entrando em um bueiro, que provavelmente era onde ele dormia. Foi uma cena bem impactante e triste de presenciar.
Hospedagem em Boa Viagem
O Centro Histórico de Recife fica em uma ilha, então passamos de carro por várias pontes para entrar e sair de lá. Para a nossa última noite, decidimos nos hospedar no bairro de Boa Viagem. Dizem ser a região mais segura da cidade e realmente tem uma cara muito mais moderna, com menos daquela sensação de “cidade antiga” e abandonada que sentimos no centro.
Estávamos bem empolgados para visitar o mercadão famoso do bairro, mas confesso que não achamos nada de mais. Queríamos comprar castanhas, mas as opções não estavam muito legais e acabamos não levando nada.
Por outro lado, encontramos uma feirinha em Boa Viagem, que ficava bem perto da nossa hospedagem, na frente da Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem. Ela é cheia de souvenirs legais e muitas barraquinhas de comida. Foi lá que vimos vendendo a famosa tapioca rendada. Para quem não conhece, ela é feita com uma camada de queijo (geralmente coalho) que é fritada direto na chapa até formar uma “renda” crocante por fora da massa da tapioca. Parecia deliciosa, mas pedimos uma que parecia um “hamburguer”, super recheada e grossa, tinham infinitas opções de sabores e o preço era super baratinho (de R$12 a R$15).
Nesse momento, já não estávamos mais com nossos amigos, pois o voo deles no dia seguinte era em horário diferente do nosso, então ficamos em hospedagens diferentes. O carro ficou com a gente para fazermos a devolução na Localiza, e eles se organizaram para ir de Uber para o aeroporto depois.
Dia 8: Devolução do carro e o Voo de volta
No dia de ir embora, fomos até a Localiza devolver o nosso C3 Aircross. Estávamos apreensivos, mas a devolução foi super tranquila e não cobraram taxa de limpeza, mesmo com o restinho de areia que sempre sobra. De lá, seguimos para o aeroporto de Recife, onde aproveitamos o tempo de espera na Sala VIP para descansar.
Para fechar com chave de ouro, nosso voo de Recife para Campinas foi no avião do Pato Donald da Azul! É uma aeronave toda personalizada, por dentro e por fora.
Conclusão: Vale a pena o roteiro circular?
Nossa conclusão final é que vale super a pena fazer o roteiro circular (Recife-Maceió-Recife). Além das passagens aéreas serem mais baratas chegando e saindo do mesmo aeroporto, o aluguel do carro também fica bem mais em conta, já que você não paga a taxa de devolução em outra cidade ou estado.
O ideal para otimizar a logística do primeiro dia seria entrar por Maceió e sair por Recife, mas financeiramente a conta não fechava. No fim das contas, não achamos as 3 ou 4 horas de estrada no primeiro dia tão cansativas assim diante da economia que fizemos. Se você quer conhecer o melhor de Alagoas e Pernambuco em uma tacada só, esse é o caminho!
E você, já fez esse roteiro ou tem vontade de conhecer essa região? Se tiver alguma dúvida sobre os preços ou as estradas, deixa aqui nos comentários! 👇
Até a próxima!