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As 10 Montanhas Mais Altas do Brasil: a Lista Oficial do IBGE

As 10 Montanhas Mais Altas do Brasil: a Lista Oficial do IBGE

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Olá, moxileiros!

Procurar as montanhas mais altas do Brasil 🇧🇷 na internet é um exercício de paciência. Aparecem números diferentes pro mesmo pico, altitudes que mudaram há anos e continuam sendo repetidas, e montanhas na ordem errada. Dá pra ler três listas e sair com três respostas.

Então este post usa uma fonte só, e é a oficial: a tabela Pontos mais altos do Brasil, do IBGE, que vem do Projeto Pontos Culminantes, com levantamento por GNSS e modelo de ondulação geoidal. É o número que o país usa.

Aqui está a lista completa, do primeiro ao décimo, com onde fica cada uma, o que esperar da subida e quanto tempo reservar. E aviso desde já: nenhuma montanha brasileira chega aos 3.000 metros, e a diferença entre a primeira e a décima é bem menor do que a maioria imagina.

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Por que as Altitudes Mudaram

Crista rochosa do Quartzito, na Serra Fina, com o vale e as montanhas ao fundo
A crista da Serra Fina, na Mantiqueira, onde ficam duas das dez. ⛰️ Foto nossa.

Se você viu por aí que o Pico da Neblina tem 3.014 metros, esse número não está inventado: ele foi oficial por décadas. O que aconteceu é que o IBGE remediu os pontos culminantes do país e publicou altitudes revisadas.

A montanha não encolheu. O que mudou foi a régua. Altitude não se mede a partir do nível do mar de um lugar só; se mede a partir de um modelo matemático da forma da Terra, e esse modelo foi refinado. Com equipamento de posicionamento por satélite e um modelo geoidal novo, os números ficaram mais precisos, e vários picos mudaram alguns metros pra cima ou pra baixo.

Resultado prático: o Pico da Neblina passou a ter 2.995,3 m, e com isso o Brasil deixou de ter qualquer montanha acima dos 3.000 metros. Uma marca simbólica que o país perdeu na conta, sem perder um centímetro de rocha.

1º e 2º: Pico da Neblina e Pico 31 de Março

Maciço da Serra do Imeri com nuvens escorrendo pelas encostas, no Amazonas
O maciço da Serra do Imeri, no Amazonas, onde ficam os dois pontos mais altos do país. 🌧️ Foto: Michellblind, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

Pico da Neblina: 2.995,3 m · Pico 31 de Março: 2.974,2 m · Serra do Imeri, Amazonas

Os dois pontos mais altos do Brasil ficam no mesmo maciço, a menos de um quilômetro um do outro, no extremo noroeste do Amazonas, na fronteira com a Venezuela. E os dois estão dentro do Parque Nacional Pico da Neblina, que por sua vez está sobreposto à Terra Indígena Yanomami.

É por isso que subir ali não é como subir qualquer outra montanha da lista. A visitação passou anos fechada e foi reaberta num modelo em que a comunidade indígena Yanomami de Maturacá gere o turismo, com autorização do ICMBio, grupos pequenos, guias e carregadores locais, e uma cota anual limitada de visitantes.

Como funciona a expedição, em linhas gerais:

  • Você chega em São Gabriel da Cachoeira, no alto Rio Negro, quase sempre de avião a partir de Manaus
  • De lá, segue por estrada e barco até a comunidade de Maturacá
  • A subida leva em média 8 dias entre ida e volta, com acampamentos no meio da mata
  • Chove praticamente todos os dias. O nome da montanha não é decorativo: o cume vive dentro da nuvem, e muita gente chega lá em cima e não vê nada

O Pico 31 de Março, o segundo mais alto, é o vizinho de porta. O nome é uma homenagem à data do golpe de 1964, batizado no período militar, e é uma das poucas montanhas famosas do país das quais praticamente não existe uma foto boa em circulação. É por isso que ele aparece aqui junto do Neblina, na foto do maciço que os dois dividem.

Reserve: de 10 a 14 dias contando os deslocamentos. É uma expedição, não um feriado prolongado.

3º: Pico da Bandeira

Pico da Bandeira iluminado pela luz alaranjada do amanhecer, na Serra do Caparaó
O Pico da Bandeira na primeira luz do dia, na Serra do Caparaó. 🌅 Foto: Bernardo Guedes Pereira Araujo, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

2.891,4 m · Serra do Caparaó, divisa de Espírito Santo e Minas Gerais

Se existe um clássico do montanhismo brasileiro, é este. Por quase um século o Pico da Bandeira foi considerado o ponto mais alto do país, até a descoberta do Neblina, na década de 1950. E ele continua sendo o mais alto que dá pra subir andando, sem expedição.

Fica dentro do Parque Nacional do Caparaó, e é uma trilha bem estruturada, com camping, portaria organizada e caminho marcado. O acesso mais comum é pelo lado capixaba, por Dores do Rio Preto, ou pelo lado mineiro, por Alto Caparaó.

O ritual clássico é subir de madrugada pra ver o nascer do sol no cume. Como o Bandeira está bem a leste do continente, o sol aparece cedo e a vista abre sobre um mar de morros. É o motivo de praticamente todo mundo acordar às 3 da manhã ali.

Reserve: 2 dias. Um pra subir até o camping (Tronqueira ou Terreirão) e outro pro cume ao amanhecer e a descida. Dá pra fazer em bate e volta puxado, mas o nascer do sol compensa dormir lá.

4º: Pedra da Mina

Cume da Pedra da Mina, na Serra Fina, com o vale ao fundo
O cume da Pedra da Mina, ponto culminante da travessia da Serra Fina. ⛺ Foto nossa.

2.798,2 m · Serra da Mantiqueira, divisa de Minas Gerais e São Paulo

Esta é o teto da Serra da Mantiqueira. Fica no meio da travessia da Serra Fina, considerada a travessia mais dura do Sudeste: são cerca de 34 km em 4 dias, quase sempre acima dos 2.000 metros, com uns 2.700 metros de ganho de elevação acumulado.

Dá pra subir a Pedra da Mina sem fazer a travessia inteira, por rota de bate e volta a partir de Queluz ou de Passa Quatro, e muita gente faz assim. Mas quem faz a crista completa pega, no caminho, o Pico dos Três Estados e o Cupim de Boi, e é uma sequência difícil de bater no Brasil.

Quem acampa no cume acorda com o mar de nuvens preenchendo o vale inteiro lá embaixo. É a imagem que todo mundo leva da Serra Fina.

Reserve: 2 dias em bate e volta, ou 4 a 5 pra travessia completa da Serra Fina. E não é trilha de estreia: pede experiência em travessia de vários dias ou um guia que conheça a crista, porque água é escassa e o tempo vira rápido.

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5º: Pico das Agulhas Negras

Agulhas de rocha escura do Pico das Agulhas Negras contra o céu azul
As agulhas de rocha que dão nome ao pico, no Parque Nacional do Itatiaia. 🧗 Foto: Henrique Boney, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

2.791,1 m · Serra do Itatiaia, divisa de Minas Gerais e Rio de Janeiro

Provavelmente a montanha mais fotografada da lista, por causa daquelas lâminas de rocha apontando pro céu. Fica na parte alta do Parque Nacional do Itatiaia, o primeiro parque nacional do Brasil, criado em 1937.

E aqui vem o detalhe que pega muita gente: o Agulhas Negras não é só caminhada. O trecho final do cume é uma escalaminhada, com passagens de rocha, corrente pra apoio e um pouco de exposição. Não precisa de equipamento técnico em condições normais, mas quem tem medo de altura sofre de verdade nos últimos metros.

O acesso é pelo planalto do Itatiaia, pelo lado de Itamonte, em Minas, por uma estrada de terra que exige carro alto. A entrada no parque é controlada e tem cota diária, então vale agendar.

Reserve: 1 dia inteiro em bate e volta a partir do abrigo Rebouças ou da portaria da parte alta.

6º: Pico do Cristal

Pico do Cristal acima de um mar de nuvens, na Serra do Caparaó
O Pico do Cristal sobre o mar de nuvens, no Caparaó. ⛰️ Foto: Pedro Perales Ramalho, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

2.769,1 m · Serra do Caparaó, Minas Gerais

O sexto mais alto do país é, de longe, o mais ignorado da lista, e por um motivo bobo: ele fica no mesmo maciço do Pico da Bandeira, a pouco mais de um quilômetro dele. Todo mundo vai lá pro Bandeira, tira a foto, desce, e passa reto pelo vizinho.

Quem sobe os dois no mesmo dia sai do Caparaó com duas das seis montanhas mais altas do Brasil na conta, e é uma das melhores relações custo-benefício do montanhismo brasileiro. A trilha até o Cristal sai do mesmo caminho principal, com um desvio.

Reserve: o mesmo dia do Bandeira, com algumas horas a mais. Se você já está lá em cima, seria um desperdício não fazer.

7º: Monte Roraima

Paredões verticais do Monte Roraima vistos da savana, com topo plano
Os paredões do Monte Roraima, o tepui na tríplice fronteira. 🌎 Foto: Paolo Costa Baldi, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

2.734,9 m · Serra de Pacaraima, Roraima

O Roraima é o estranho no ninho, e o mais impressionante visualmente de todos. Ele não é um pico: é um tepui, uma montanha de topo plano com paredões verticais de centenas de metros, formada por rochas de mais de 1,7 bilhão de anos, das mais antigas expostas do planeta.

Fica na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana, e é o marco onde os três países se encontram. O ponto mais alto do platô fica em território venezuelano, mas o cume brasileiro entra na contagem oficial do IBGE.

Um detalhe que decepciona quem não sabe: a rota clássica de subida sai da Venezuela, por Santa Elena de Uairén, e não do Brasil. Pelo lado brasileiro o acesso é bem mais complicado. E lá em cima a paisagem é de outro planeta, com rocha preta escavada pela chuva, poças de água cristalina e plantas que só existem ali.

Reserve: de 6 a 8 dias de trekking, mais os deslocamentos. É expedição de verdade, e a situação de fronteira exige pesquisa atualizada antes de fechar qualquer coisa.

8º: Morro do Couto

Formação rochosa do Morro do Couto contra o céu azul, no planalto do Itatiaia
O Morro do Couto, no planalto do Itatiaia. 🥾 Foto: Nando Bomfim, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

2.687 m · Serra das Prateleiras, Rio de Janeiro

Este é o mais generoso da lista, e por isso é o primeiro dois-mil-e-seiscentos de muita gente. Fica no planalto do Itatiaia, pertinho do abrigo Rebouças, e a trilha é curta e sem trecho técnico.

Ou seja: você chega no planalto, faz uma caminhada tranquila e coloca a oitava montanha mais alta do Brasil no currículo. É o lugar ideal pra quem quer sentir como é caminhar em altitude no país sem encarar exposição.

Reserve: meio dia a partir do abrigo Rebouças. Combina muito bem com o Agulhas Negras no mesmo fim de semana.

9º: Pedra do Sino de Itatiaia

Crista verde e rochosa da Pedra do Sino de Itatiaia, com vale abaixo
A Pedra do Sino de Itatiaia, perto do Vale do Aiuruoca. ⛰️ Foto: Gilcimar Soares Liberato, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

2.670 m · Serra da Mantiqueira, Minas Gerais

Cuidado com o nome. Existem duas Pedras do Sino no Sudeste, e a famosa não é esta. A que aparece em todo roteiro de fim de semana é a Pedra do Sino de Teresópolis, na Serra dos Órgãos, com 2.224 m, que nem entra nesta lista.

Esta aqui é a Pedra do Sino de Itatiaia, na parte alta do parque, perto do Vale do Aiuruoca. É bem menos visitada, fica numa área de cerrado de altitude e campos rupestres, e a caminhada até ela é longa e solitária.

Reserve: 1 dia inteiro a partir da parte alta do Itatiaia, ou encaixe num roteiro de vários dias pelo planalto.

10º: Pico dos Três Estados

Marco no cume do Pico dos Três Estados, onde Minas, São Paulo e Rio se encontram
O marco no cume do Pico dos Três Estados, no terceiro dia da travessia da Serra Fina. ⛰️ Foto nossa.

2.665 m · Serra da Mantiqueira, divisa de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo

Tem um marco fincado no chão mostrando exatamente onde os três estados se tocam, e é um dos cartões-postais do montanhismo brasileiro. Fica no terceiro dia da travessia da Serra Fina, depois da Pedra da Mina e do Cupim de Boi.

Do cume dá pra ver o Parque Nacional do Itatiaia inteiro do outro lado do vale, com o Agulhas Negras e as Prateleiras à vista. É um daqueles lugares em que a geografia do Sudeste fica óbvia de repente.

Reserve: ele vem junto com a travessia da Serra Fina, de 4 a 5 dias. Também existe rota de bate e volta pelo lado de Itamonte, mais curta.

A Tabela Completa

As dez, com a altitude oficial:

  • 1. Pico da Neblina · Amazonas · 2.995,3 m
  • 2. Pico 31 de Março · Amazonas · 2.974,2 m
  • 3. Pico da Bandeira · Espírito Santo e Minas Gerais · 2.891,4 m
  • 4. Pedra da Mina · Minas Gerais e São Paulo · 2.798,2 m
  • 5. Pico das Agulhas Negras · Minas Gerais e Rio de Janeiro · 2.791,1 m
  • 6. Pico do Cristal · Minas Gerais · 2.769,1 m
  • 7. Monte Roraima · Roraima · 2.734,9 m
  • 8. Morro do Couto · Rio de Janeiro · 2.687 m
  • 9. Pedra do Sino de Itatiaia · Minas Gerais · 2.670 m
  • 10. Pico dos Três Estados · Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo · 2.665 m

Fonte: IBGE, Anuário Estatístico do Brasil, tabela 1.3.2.1, “Pontos mais altos do Brasil”, 2023.

Três Coisas que a Lista Revela

Do primeiro ao décimo tem só 330 metros de diferença. Isso diz muito sobre o relevo brasileiro: não temos uma cordilheira jovem como os Andes, temos serras antigas e desgastadas, com cumes que se acotovelam numa faixa estreita de altitude.

Oito das dez estão no Sudeste. Só as duas primeiras e o Roraima fogem disso. E dentro do Sudeste elas se concentram em três maciços: Caparaó (Bandeira e Cristal), Itatiaia (Agulhas Negras, Morro do Couto e Pedra do Sino) e Mantiqueira/Serra Fina (Pedra da Mina e Três Estados). Se você quer marcar várias, vá por maciço, não por montanha.

As duas mais altas são as mais difíceis de acessar por motivos que não são a montanha. Não é altitude nem técnica: é distância, floresta, chuva, autorização e respeito ao território indígena. As mais altas do Brasil são também as mais protegidas, e isso é bom.

Antes de Subir Qualquer Uma Delas

Três recados práticos de quem tomou chuva na crista.

Confira a época. No Sudeste, a melhor janela é de maio a setembro, na seca, quando o céu abre e a chance de mar de nuvens é maior. Em compensação faz frio de verdade lá em cima, com temperatura negativa e geada.

Confira as regras do parque. Vários desses cumes ficam em unidade de conservação com agendamento e cota diária, e alguns exigem guia credenciado. Chegar sem agendar é voltar pra casa.

Contrate seguro. Resgate em montanha é caro, demorado, e nenhuma dessas trilhas tem sinal de celular no trecho alto.

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E se você não tem experiência em travessia de vários dias, vá com quem tem. Numa crista como a da Serra Fina, a diferença que um guia faz está justamente no que não aparece no mapa: onde estão os pontos de água, quanto pegar em cada trecho e quando é hora de desistir de um cume por causa do tempo.

Por Onde Começar

Se você está montando a sua lista, a ordem que faz sentido é mais ou menos essa:

  • Pra estrear: Morro do Couto, no Itatiaia. Trilha curta, sem exposição, e já te coloca acima de 2.600 m
  • Pro primeiro cume clássico: Pico da Bandeira, com o nascer do sol. É estruturado e é lindo
  • Pra subir de nível: Agulhas Negras, por causa da escalaminhada final
  • Pro grande desafio do Sudeste: a travessia da Serra Fina, que entrega Pedra da Mina e Três Estados de uma vez
  • Pro sonho grande: Pico da Neblina, com planejamento de meses e muito respeito ao território

Me conta lá no @moxileira quantas dessas você já subiu, e qual é a próxima da sua lista.

Até a próxima! 💗

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