Olá, moxileiros!
Toda vez que chega junho, o feed vira a mesma coisa: barquinho no mar azul, casinha branca com porta azul, spritz laranja na mão, vilarejo colorido pendurado numa falésia. É o Eurosummer, o verão europeu, que virou praticamente uma estética própria na internet. E, diferente de muita trend, essa aqui tem fundamento: entre junho e setembro o Mediterrâneo entrega dias longuíssimos, mar quente e uma vida ao ar livre que não existe no resto do ano por lá.
Juntei os 10 destinos que mais aparecem nessa lista, com o que ver em cada um, como chegar e uma dica pra fugir do pior da lotação. No fim, deixo as dicas práticas que fazem diferença de verdade se você for encarar a Europa em alta temporada.
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O que É o "Eurosummer", Afinal
Eurosummer é só o apelido bonitinho do verão no hemisfério norte, que na Europa vai de meados de junho a meados de setembro. O que faz esse período ser tão marcante por lá não é só o calor: é a luz. Em boa parte do Mediterrâneo o sol se põe depois das 20h30, e mais ao norte passa das 21h. O dia rende de um jeito que muda a viagem inteira, com jantar às 22h e a rua cheia até tarde.
O outro lado da moeda é que todo mundo viaja ao mesmo tempo. Julho e agosto são as férias escolares europeias, e agosto é quando os próprios europeus saem de férias em massa (na Itália e na França, cidades inteiras esvaziam e muitos comércios fecham). Isso significa preço de pico, fila e ilha lotada. Falei disso em detalhe no post Destinos de Alta Temporada, e mais pra baixo eu conto qual é o melhor mês pra fugir do pior.
Os 10 Destinos do Eurosummer
Uma visão geral antes de eu descer no detalhe de cada um:
| Destino | País | Como chegar | Quanto ficar |
|---|---|---|---|
| Santorini | 🇬🇷 Grécia | Voo direto no verão ou ferry de Atenas | 2 a 3 dias |
| Costa Amalfitana | 🇮🇹 Itália | De Nápoles, ônibus ou barco pela costa | 3 a 4 dias |
| Mykonos | 🇬🇷 Grécia | Voo ou ferry de Atenas | 2 a 3 dias |
| Algarve | 🇵🇹 Portugal | Voo a Faro (ou trem/carro de Lisboa) | 4 a 5 dias |
| Dubrovnik | 🇭🇷 Croácia | Voo direto ou ônibus pela costa | 2 dias |
| Ibiza | 🇪🇸 Espanha | Voo a Ibiza ou ferry de Barcelona/Valência | 3 a 4 dias |
| Cinque Terre | 🇮🇹 Itália | De trem, parando nos cinco vilarejos | 2 dias |
| Côte d’Azur | 🇫🇷 França | Voo a Nice e trem pela costa | 3 a 5 dias |
| Capri | 🇮🇹 Itália | Ferry de Nápoles ou de Sorrento | 1 a 2 dias |
| Mallorca | 🇪🇸 Espanha | Voo a Palma de Mallorca | 4 a 5 dias |
1. Santorini, Grécia

Oia, na borda da caldeira: a ilha é o que sobrou de um vulcão que explodiu. 🌋 Foto: Rainer Strehl, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons
Se existe uma foto que resume o Eurosummer inteiro, é a de Santorini: casinhas brancas, cúpulas azuis e o mar lá embaixo. O detalhe que quase ninguém conta é que aquela paisagem em formato de meia-lua é uma caldeira vulcânica. A ilha era redonda até uma erupção gigantesca por volta de 1600 a.C. explodir o miolo e afundá-lo no mar. Você está literalmente andando na borda de um vulcão.
Oia é o vilarejo do pôr do sol famoso, e é exatamente ali que se forma a multidão: gente chegando uma hora antes pra garantir um degrau nas ruínas do castelo. Fira, a capital, é mais movimentada e tem a trilha da borda da caldeira até Oia (uns 10 km de vistas absurdas, que você faz de manhã cedo pra não derreter). Pras praias, o lado oposto da ilha tem areia vulcânica preta e vermelha, como Kamari e Red Beach.
Como chegar: no verão há voos diretos de várias capitais europeias. De Atenas, o ferry leva de 5 a 8 horas conforme o tipo de barco (os rápidos custam mais e balançam mais).
Dica: assista ao pôr do sol de Imerovigli ou de um barco, em vez de brigar por espaço em Oia. E se sua hospedagem for na caldeira, confira quantos degraus separam ela da rua: são centenas em algumas, e no calor isso pesa.
2. Costa Amalfitana, Itália

Positano, o mais fotogênico dos vilarejos, empilhado na encosta sobre o Tirreno. 🍋 Foto: Nicola Cerroni, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
A Costa Amalfitana é aquele trecho do sul da Itália onde as casas parecem empilhadas na encosta. As paradas clássicas são três: Positano, a mais fotogênica e a mais cara; Amalfi, a maior, com uma catedral impressionante no alto de uma escadaria; e Ravello, no alto da montanha, mais tranquila e com jardins de vista panorâmica.
A estrada costeira é linda e estreitíssima, cheia de curvas, com ônibus e caminhão se cruzando por centímetros. No verão ela engarrafa feio, e há restrições de circulação por placa em determinados dias e horários. Traduzindo: não alugue carro pra fazer a costa em julho ou agosto. Use os ônibus da SITA ou, melhor ainda, os ferries que ligam os vilarejos pelo mar, que são mais rápidos, mais bonitos e não pegam trânsito.
Como chegar: voe até Nápoles e de lá siga de trem até Sorrento ou Salerno, e então ônibus ou barco. Ficar em Sorrento ou Salerno costuma sair bem mais em conta do que dormir em Positano.
Dica: reserve um dia pro Sentiero degli Dei, o "Caminho dos Deuses", uma trilha de encosta com vista pra costa inteira. Faça de manhã cedo, com água e protetor.
3. Mykonos, Grécia

Os moinhos de Kato Mili: de dia, praia e ruelas caiadas; de noite, a ilha da balada. 🍸 Foto: Joe deSousa, CC0, via Wikimedia Commons
Mykonos é a irmã festeira das Cíclades. A Chora (o centrinho) é um labirinto proposital de ruelas brancas, feito assim séculos atrás pra confundir piratas, e hoje confunde turista com igual eficiência. Os moinhos de vento e a Little Venice, com as casas de sacada sobre o mar, são o cartão-postal.
As praias do sul, como Paradise e Super Paradise, são as dos beach clubs com música alta e espreguiçadeira que custa o olho da cara. Pra sossego, procure as do norte, como Fokos e Agios Sostis. E vale reservar meia diária pra Delos, a ilha-santuário ali ao lado, um dos sítios arqueológicos mais importantes da Grécia, onde a mitologia diz que nasceram Apolo e Ártemis. Só se chega de barco e não se dorme lá.
Como chegar: voo direto no verão ou ferry de Atenas. Mykonos e Santorini são fáceis de combinar numa viagem só, com ferry entre as duas.
Dica: Mykonos é cara mesmo. Se o orçamento apertar, durma em Ano Mera (o interior da ilha) e vá de ônibus pras praias, ou troque Mykonos por Naxos e Paros, vizinhas bem mais em conta.
4. Algarve, Portugal

A Ponta da Piedade, em Lagos: falésias cor de mel, grutas e água verde. 🇵🇹 Foto: Einaz80, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
O Algarve é a costa sul de Portugal e provavelmente o destino mais "custo-benefício" desta lista, além de resolver a barreira do idioma pra gente. São quilômetros de falésias cor de mel recortadas por praias pequenas, com destaque pra Praia da Marinha, Ponta da Piedade (em Lagos) e o Percurso dos Sete Vales Suspensos, uma caminhada costeira de tirar o fôlego.
A estrela do Instagram é a Gruta de Benagil, aquela caverna com um buraco redondo no teto e uma praia dentro. Só se chega pela água, de barco, caiaque ou stand-up, e as regras de aproximação e entrada mudam de tempos em tempos por questão de segurança, então confirme com o operador na hora de reservar.
Como chegar: voo até Faro, que recebe voos baratos da Europa inteira. De Lisboa, dá pra ir de trem ou de carro em cerca de 3 horas.
Dica: alugue carro aqui, sim. Diferente da Costa Amalfitana, no Algarve o carro é o que destrava as praias pequenas que o ônibus não alcança. E a água do Atlântico é bem mais fria que a do Mediterrâneo, então não estranhe.
5. Dubrovnik, Croácia

A "Pérola do Adriático" e a King’s Landing de Game of Thrones. 🐉 Foto: dronepicr, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons
Dubrovnik é uma cidade medieval murada inteira, com telhados alaranjados e ruas de mármore polido pelo tempo, debruçada sobre um mar azul-escuro. O passeio obrigatório é caminhar por cima das muralhas, uma volta de cerca de 2 km com vista pro mar de um lado e pros telhados do outro. Faça logo na abertura ou no fim da tarde, porque no meio do dia não há sombra nenhuma lá em cima.
Quem assistiu Game of Thrones vai reconhecer meio caminho: a cidade fez o papel de King’s Landing, e existem tours temáticos pra quem curte. Vale também o teleférico até o monte Srđ pro pôr do sol e um mergulho na ilha de Lokrum, a 15 minutos de barco.
Como chegar: voos diretos de várias capitais europeias no verão, ou ônibus pela costa dálmata vindo de Split.
Dica: Dubrovnik recebe navios de cruzeiro, e quando dois atracam junto a cidade velha fica impraticável entre 10h e 16h. Programe o miolo do dia pra praia ou para a ilha e volte pras muralhas depois.
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6. Ibiza, Espanha

Uma das calas do norte da ilha: tem muito mais Ibiza do que balada por aqui. 🌊 Foto: Philip Larson, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons
Ibiza é mundialmente conhecida pelas festas, e elas são realmente de outro nível, com clubes lendários e DJs residentes o verão inteiro. Mas quem vai só pela balada perde a melhor parte: a ilha tem calas de água turquesa espalhadas pela costa, um casco antigo lindíssimo (Dalt Vila, fortificado e Patrimônio da Humanidade) e um norte hippie e tranquilo, com feirinhas e praias vazias.
O programa mais bonito é o pôr do sol diante de Es Vedrà, aquele rochedo que sobe do mar como uma pirâmide e alimenta todo tipo de lenda mística. E, se sobrar um dia, pegue o ferry pra Formentera, a ilha vizinha, que tem água cor de piscina e nenhum aeroporto.
Como chegar: voo direto a Ibiza, ou ferry de Barcelona, Valência ou Denia.
Dica: preço de hospedagem em agosto em Ibiza é quase piada. Junho e setembro entregam a mesma ilha por bem menos, com o mar já quente.
7. Cinque Terre, Itália

Vernazza, com o portinho em formato de concha: cinco vilarejos ligados por trem e por trilhas. 🚂 Foto: Mathieu Chollet, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Cinque Terre são cinco vilarejos de casas coloridas encaixados entre a montanha e o mar, na Ligúria: Monterosso (o único com praia de areia de verdade), Vernazza (o mais bonito, com o portinho em formato de concha), Corniglia (o único no alto, sem acesso direto ao mar, e com 380 degraus da estação até o centro), Manarola (a foto clássica do pôr do sol) e Riomaggiore.
O charme é que um trem regional liga os cinco em poucos minutos cada, então dá pra ver todos num dia ou dois sem carro nenhum. Entre alguns deles também há trilhas costeiras, incluindo a famosa Via dell’Amore, entre Riomaggiore e Manarola, reaberta em 2024 depois de anos fechada por deslizamentos.
Como chegar: de trem, vindo de La Spezia (mais perto e mais barato pra dormir) ou de Gênova, Pisa e Florença.
Dica: compre o Cinque Terre Card se for fazer trilhas, porque vários trechos são pagos e às vezes fecham por causa de chuva. E carregue calçado fechado: as trilhas são de terra e pedra, nada de chinelo.
8. Côte d’Azur, França

A Baía dos Anjos, em Nice, com a Promenade des Anglais acompanhando a curva. 🛥️ Foto: Cayambe, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons
A Côte d’Azur, ou Riviera Francesa, é o trecho de costa mais elegante do Mediterrâneo, e o nome não é exagero: o mar ali tem um azul profundo que rende foto sozinho. A base natural é Nice, com a Promenade des Anglais, o casco antigo e o mercado de flores, e de lá o trem costeiro te leva pra tudo.
Nos arredores estão Cannes (do festival de cinema), o principado de Mônaco (que cabe numa tarde, com o palácio e o cassino de Monte Carlo), Antibes, Villefranche-sur-Mer e o vilarejo medieval de Èze, empoleirado numa rocha com vista pro mar. Saint-Tropez é mais longe e mais complicada de alcançar sem carro ou barco.
Como chegar: voo até Nice, que é bem conectada, e trem pela costa daí em diante.
Dica: as praias de Nice são de pedra, não de areia. Leve sapatilha de água, que salva os pés, e não estranhe ver todo mundo deitado sobre seixos.
9. Capri, Itália

Os Faraglioni, símbolo da ilha chique do golfo de Nápoles. 💙 Foto: Berthold Werner, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons
Capri é pequena, cara e absurdamente bonita. Os Faraglioni, aqueles três rochedos saindo do mar, são o símbolo da ilha, e a Gruta Azul é o passeio mais famoso: uma caverna onde a luz entra por baixo d’água e deixa tudo com um azul elétrico irreal. Aviso importante: a gruta só abre com mar calmo, a entrada é num barquinho minúsculo deitado, e a fila costuma ser longa.
Pra fugir da multidão do centro, suba de teleférico até o Monte Solaro, em Anacapri, de onde se vê o golfo inteiro. É, na minha opinião, a melhor vista da ilha, e por algum motivo bem menos concorrida.
Como chegar: ferry de Nápoles ou de Sorrento. Muita gente faz bate-volta, mas quem dorme na ilha ganha o melhor prêmio: Capri esvazia depois que os últimos ferries partem.
Dica: pegue o primeiro barco do dia. Chegar às 9h e sair no fim da tarde é a diferença entre curtir a ilha e andar em fila indiana.
10. Mallorca, Espanha

O Cap de Formentor, no extremo norte: a ilha que combina praia, montanha e vilarejo de pedra. ⛰️ Foto: Nils H., CC BY 2.0, via Wikimedia Commons
Mallorca é a maior das Baleares e talvez a mais completa desta lista, porque não é só praia. Palma, a capital, tem uma catedral gótica gigantesca à beira-mar (com intervenções do Gaudí por dentro) e um centro histórico ótimo de perambular. E aí tem a Serra de Tramuntana, uma cadeia de montanhas que corre pela costa noroeste, Patrimônio da Humanidade, com vilarejos de pedra como Valldemossa, Deià e Sóller.
O passeio mais gostoso é o trem de madeira antigo de Palma a Sóller, que atravessa a serra e desce até o porto num bondinho. E as calas, enseadas de água transparente cercadas de pinheiros, são o motivo principal de alugar um carro por aqui.
Como chegar: voo até Palma de Mallorca, um dos aeroportos mais movimentados da Espanha no verão, com voo barato saindo da Europa inteira.
Dica: as calas mais famosas têm estacionamento pequeno que lota antes das 10h, e algumas já restringem acesso na alta temporada. Chegue cedo ou vá no fim da tarde.
Quando Ir: Junho, Julho, Agosto ou Setembro?
Todos são "verão", mas a experiência muda bastante:
- Junho — dias mais longos do ano, calor ainda civilizado e menos gente. O mar está mais fresco, principalmente no Atlântico. É a melhor relação entre clima e lotação.
- Julho — calor forte, tudo aberto e funcionando, muita festa. Já é pico de preço.
- Agosto — o mês mais cheio e mais caro, com europeu inteiro de férias, ondas de calor cada vez mais frequentes e comércio local fechado em algumas cidades italianas e francesas. Se puder evitar, evite.
- Setembro — na minha opinião o melhor mês. Mar no ponto mais quente do ano, preços caindo, ilha respirável e dias ainda longos. Só a partir do fim do mês alguns ferries e hotéis de ilha começam a reduzir a operação.
Dicas Práticas pra Encarar o Verão Europeu
Reserve cedo o que é gargalo. Hospedagem em ilha, ferry entre ilhas gregas, trem de alta velocidade na Itália e ingresso de atração famosa esgotam ou disparam de preço. Passeio de barco, mergulho na Gruta Azul e muralhas de Dubrovnik são do tipo que você compra com antecedência.
Leve o calor a sério. Ondas de calor no Mediterrâneo passam facilmente dos 40 °C, e muita hospedagem antiga não tem ar-condicionado (confira antes de reservar, não presuma). Organize o dia como os locais: rua de manhã, sombra ou mar entre 13h e 16h, passeio de novo no fim da tarde. Garrafa reutilizável, chapéu e protetor resolvem metade dos problemas.
Fique de olho na papelada. Brasileiro não precisa de visto pra turismo no Espaço Schengen, valendo a regra dos 90 dias dentro de qualquer período de 180. Mas a Europa vem implantando novos sistemas de controle de entrada e a autorização eletrônica ETIAS, cuja data de início já foi adiada várias vezes. Confira a situação oficial perto da sua viagem, porque quando entrar em vigor vira requisito antes de embarcar.
Contrate seguro viagem. Além de ser exigência formal para entrar no Espaço Schengen, é o que te salva de um perrengue caro num país onde você não fala a língua.
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Respeite as regras locais. Vários desses destinos criaram limites por causa do excesso de turismo: taxa de entrada em cidade histórica, proibição de andar de maiô fora da praia, multa por sentar em escadaria de igreja, restrição de acesso a praia lotada. Nada disso é implicância, é uma tentativa de manter esses lugares vivos pra quem mora neles.
É isso, moxileiros. O Eurosummer é bonito de verdade, mas ele é bem melhor quando você escolhe o mês certo e chega organizado. Qual desses dez você colocaria primeiro na lista? Me conta lá no @moxileira.
Até a próxima! 💗